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Hacker X, um dos arquitetos do império de fake news pró-Trump, revela sua identidade

Nascido em Stamford, Connecticut, nordeste dos Estados Unidos, o nome dele é Robert Willis. Branco e criado por uma família da classe trabalhadora americana, o outrora Hacker X administrou, entre 2015 e 2017, uma ampla rede de sites e grupos no Facebook que espalhava fake news, teorias da conspiração e propaganda pró-Donald Trump.

Em entrevista ao site Ars Technica, Willis explica que decidiu revelar sua identidade após observar o imenso estrago realizado por correntes de fake news durante a pandemia do Covid-19. Especialmente, notícias que espalham mensagens antivacinação.

“O Covid me mostrou o lado mortal das fake news e das pessoas antivacinação”, diz o hacker, que hoje coordena o grupo de hacking ético Sakura Samurai, em uma publicação de blog. “Depois de várias conversas com meu pai, que se recusa a usar máscara ou ser vacinado, fiquei muito preocupado. Perguntei a ele em quais sites ele lia essas teorias conspiratórias e ele mencionou o site que administrava a rede que construí a máquina [de desinformação].”

Willis ganhou a alcunha de “Hacker X” após uma entrevista a Theresa Payton, especialista em cibersegurança e ex-diretora de informações da Casa Branca. Payton estava à procura de vítimas de campanhas de desinformação e conteudistas envolvidos na produção de fake news. Posteriormente, a maioria das entrevistas foi incluída no livro Manipulated, lançado no início do ano passado, em que a pesquisadora ocultou o nome de Willis e o chamou pelo epíteto misterioso.

Willis diz ter se arrependido de propagar fake news após pandemia do Covid-19 (Wikimedia/CC)

O que propagavam as redes de desinformação?

Na entrevista ao Ars Technica, o hacker das fake news pró-Trump não revela o nome da empresa para qual trabalhou durante as eleições, dando-lhe apenas o nome alternativo de “Koala Media”.

Segundo Willis, ele não tinha ideia, no início do emprego, que a empresa pretensões extremistas ou se tornaria assim no futuro. Nela, sua função era expandir rapidamente um site popular sobre suplementos e tratamentos alternativos pertencente à companhia.

Inicialmente, Willis acreditava que a Koala Media fazia apenas “jornalismo investigativo”. No entanto, assim que Trump começou a subir nas pesquisas de intenção de voto nos EUA, o comportamento editorial da empresa começou a mudar. “Então, [o conteúdo] foi para coisas bobas como ‘o limão cura câncer’. E, eventualmente, para coisas bastante imprecisas”, explica o hacker.

Além disso, as notícias começaram a se tornar cada vez mais opinativas e sem sentido. Frequentemente, citações eram colocadas de forma enganosa, interpretando fatos noticiosos da semana por uma visão distorcida ou apontando para artigos na rede de sites da Koala para dificultar a navegação do leitor.

No centro do enxame de desinformação propagado pelo site, destacavam-se notícias contra Hillary Clinton — rival de Trump nas eleições em 2016 —, entre outras coisas, alegando que a candidata ocultava planos para “criminalizar” proprietários de armas, matar a imprensa livre, “drogar” conservadores à força, sacrificar adultos e banir a bandeira dos EUA.

Hacker forjou identidades para criar sites de fake news

Agora, como essas notícias ganhavam tração? Segundo Willis, por meio de uma massiva rede de distribuição de fake news, em que os artigos do site principal da Koala eram linkados. “Um web ring em que os sites não pareciam ter qualquer associação real entre si do ponto de vista técnico e não podiam ser rastreados.”

Cada site estava em um servidor separado e tinha um endereço IP exclusivo. As notícias eram distribuídas, segundo Willis, por meio de uma operação de sincronização que envolvia diversos VPNs com “várias camadas de segurança”. Além de conteudistas americanos, a equipe do hacker das fake news era composta por desenvolvedores terceirizados do México, Europa Oriental, África do Sul e Taiwan.

“Supervisionei tudo e tinha pilhas de cartões SIM comprados em dinheiro para ativar diferentes sites no Facebook, uma vez que era necessário naquele momento”, explica. “Cada site tinha uma identidade falsa que inventei. Tinha uma folha onde guardava nome, endereço e número de telefone do cartão SIM.”

De acordo com Willis, os artigos da Koala alcançavam mais de 30 milhões de pessoas por semana. Em determinado momento, o próprio Trump retuitou uma mensagem de uma conta no Twitter, @debateless, criada pelo hacker das fake news para seu blog pessoal BloodyRubbish.com.

Willis diz ter ficado em choque quando Donald Trump ganhou as eleições no fim de 2016 e, no ano seguinte, abandonou o trabalho. Atualmente, ele é um dos coordenadores do grupo Sakura Samurai, que trabalha para solucionar vulnerabilidades nos sistemas de entidades públicas e privadas. “Tive um momento de reflexão e dinheiro no banco e decidi que o que mais gostava de fazer era hackear, então queria voltar para isso. Decidi buscar um emprego na indústria de segurança”, justifica.

Via Ars Technica

Imagem: Nutlegal Photographer/Shutterstock

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